Palavra Prima

"A literatura é perfeitamente inútil: a sua única utilidade é que ajuda a viver" (Claude Roy)

9.6.13

Garnizé 3

Esta é memória adotada, doada por meu pai, que repasso: Zé, mesmo com o seu tímido ordenado, carrega o meu pai, garoto, para a Casa José Silva. Está interessado em ver os preços de umas roupas. O vendedor, simpático, oferece-lhe um sapato, e outro a meu pai. “Posso?”, pergunta o menino. “Pode”, responde o pai. Agradando, o vendedor investe sobre meias e camisas: “Ficam ótimas para o senhor! Quer levar?”. “Claro”, responde Zé, já meio embaraçado. “Estes modelos acabaram de chegar. E tem também para o tamanho do seu filho. Bonitas, não?”. “Bonitas”, interage seu Zé. “E calça?”, arremata o vendedor. A conta cresce na proporção do embaraço. Meu pai contabilizava as combinações que variaria em cada festa que fosse, quando, de súbito, sente-se puxado pela mão em direção à porta da rua. Identificando prontamente a locomotiva que o carrega, pergunta, abismado: “Papai, o que foi?”. “Fica quieto, rapaz, vamos embora que esse cara é doido. Eu nem quero comprar nada”. 

1 Comments:

Anonymous Clarisse said...

Vou fazer uma série com as minhas histórias e a gente podia juntar e ler pra benja e santi. Tim Burton que se cuide!

10:55 PM  

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