Palavra Prima

"A literatura é perfeitamente inútil: a sua única utilidade é que ajuda a viver" (Claude Roy)

23.8.12

Garnizé 2

Zé já doente, andar frágil, entortado para a esquerda, em Sumidouro se atirava pelo chão de terra contrariando o equilíbrio e a disposição do corpo. Na roça, que foi sempre o seu embrulho, a sua concha, não passava os dias sentado ocupado com o bailado monótono de pernas indecisas. Metia-se onde nem podia, andava em terreno fofo, escorregadio, aventurava-se. De uma vez, desaparecido da nossa vista e sem forças para responder aos nossos chamados, foi encontrado pela minha mãe estatelado, de barriga pra cima, em posição de redentor, sobre um generoso colchão de bagaços de cana, sobre o qual tinha escorregado. Perguntado, em tom impaciente de pergunta pra qual não se quer resposta, o que fazia ali afinal de contas, recolocou, com fina ironia, as coisas no seu devido lugar: “tô olhando pro céu!”

2 Comments:

Anonymous Clarisse Vianna said...

É ou não é o Peixe Grande da família? Valia um blog coletivo só com as histórias dele. Incluindo, é claro, a inúmeras repetições de subir-cair do cavalo.

8:25 AM  
Blogger André Dantas said...

Manda daí as que você lembrar que a gente vai postando... gostei da ideia

9:10 PM  

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