Garnizé 2
Zé já doente, andar frágil, entortado para a
esquerda, em Sumidouro se atirava pelo chão de terra contrariando o equilíbrio
e a disposição do corpo. Na roça, que foi sempre o seu embrulho, a sua concha,
não passava os dias sentado ocupado com o bailado monótono de pernas indecisas.
Metia-se onde nem podia, andava em terreno fofo, escorregadio, aventurava-se.
De uma vez, desaparecido da nossa vista e sem forças para responder aos nossos
chamados, foi encontrado pela minha mãe estatelado, de barriga pra cima, em
posição de redentor, sobre um generoso colchão de bagaços de cana, sobre o qual
tinha escorregado. Perguntado, em tom impaciente de pergunta pra qual não se quer
resposta, o que fazia ali afinal de contas, recolocou, com fina ironia, as
coisas no seu devido lugar: “tô olhando pro céu!”

2 Comments:
É ou não é o Peixe Grande da família? Valia um blog coletivo só com as histórias dele. Incluindo, é claro, a inúmeras repetições de subir-cair do cavalo.
Manda daí as que você lembrar que a gente vai postando... gostei da ideia
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